Artigos Archives - Tiago Aires http://tiagoaires.com/category/artigos/ Trail Running e Treino de Endurance Thu, 16 Mar 2023 22:51:08 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 http://tiagoaires.com/wp-content/uploads/2019/01/cropped-Logo_TA-01-32x32.png Artigos Archives - Tiago Aires http://tiagoaires.com/category/artigos/ 32 32 Elementos intransponíveis nos mapas de Orientação Pedestre http://tiagoaires.com/2023/03/elementos-intransponiveis-nos-mapas-de-orientacao-pedestre/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=elementos-intransponiveis-nos-mapas-de-orientacao-pedestre Thu, 16 Mar 2023 17:25:46 +0000 https://tiagoaires.com/?p=9468 Existem dois tipos de especificações para mapas de Orientação Pedestre: Existem pequenas mas importantes diferenças entre estas especificações de mapas. Talvez a mais importante dessas [...]

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Existem dois tipos de especificações para mapas de Orientação Pedestre:

Existem pequenas mas importantes diferenças entre estas especificações de mapas. Talvez a mais importante dessas diferenças é de que no ISOM não existem elementos de transposição proibida. No entanto, no ISSprOM já existe o conceito de símbolos cuja transposição é proibida e que podem levar à desclassificação do atleta.

Por exemplo, os símbolos de “Muro intransponível” o ISOM original (em inglês) denomina-os de “Impassable wall” e o ISSprOM de “Uncrossable wall”, detalhando depois na descrição que:

  • “Impassable” (ISOM) refere-se à dificuldade de transposição para um atleta de nível físico médio (referindo uma altura do elemento superior a 1,5m).
  • “Uncrossable” (ISSprOM) significa que é proibido de transpor (sem referir altura do elemento)

Assim, no ISOM só as áreas privadas e alguns elementos do traçado do percursos (cor magenta) indicam proibição de atravessar. Isto porque seria utópico nas provas de floresta em áreas enormes controlar ou prever os locais onde o atleta poderia passar além de ser muito dúbio o que será intransponível dependendo muito do atleta e da direção de abordagem.

Nos mapas ISSprOM, os espaços onde se desenrola os eventos são bastante mais pequenos e controláveis. Nestas provas, cada segundo é determinante para uma competição justa, além de que o maior desafio de navegação está na rápida escolha do trajeto por entre intricadas zonas urbanas ou parques. A única forma de a competição ser justa e estimulante é com regras claras e universais.

Assim, em mapas ISSprOM existem símbolos intransponíveis que se forem transpostos os atletas são desqualificados. Por esse motivo, nas provas mais importantes existem controladores nos locais propícios a tal. De salientar que o intransponível não tem de ser obrigatoriamente um elemento difícil de transpor, pode ser assim marcado no mapa para criar uma situação de navegação mais detalhada ou porque se trata de algo desaconselhado transpor (por exemplo um monumento, um pequeno muro pintado ou flores de jardim).

Existem nos mapas ISSprOM vários símbolos que representam esta proibição, como por exemplo muro intransponível, vedação intransponível, falésia intransponível, aqueduto intransponível, sebes (verde com 30% preto – dark green), para além de casa, área privada, pântano intransponível e lago intransponível (ver no fim do artigo a lista completa destes símbolos).

Para as competições, o traçador de percursos tem por objetivo criar o máximo de possibilidades de escolha de trajeto onde, sempre que possível, o jogo com elementos intransponíveis pode fazer a diferença na perceção da opção mais rápida. Este trabalho só faz sentido quando todos os intervenientes têm conhecimento das regras. O traçador juntamente com o cartógrafo por vezes só manipulando estes fatores e testando os percursos conseguem potenciar ao máximo a sua tecnicidade. O mesmo se passa com as barreiras artificiais, ainda pouco comuns no nosso país, mas que são uma excelente forma de surpreender os atletas e mais uma vez criar mais dificuldade na análise e escolha de trajeto.

No entanto, o não cumprimento destas proibições de transposição acontece todos os fins-de-semana um pouco por todo o mundo, e faz parte do desenvolvimento da modalidade. Num mundo perfeito todos cumpririam mas, muitas das vezes não é por má-fé que os orientistas o fazem, é comum ser por desconhecimento ou por má interpretação do mapa sob o stress da competição. É bastante comum o atleta olhar para o terreno sem associar de que forma estará representado no mapa.

O mesmo se passa no atletismo na disciplina da marcha que que o atleta recebe um aviso por não estar a cumprir a técnica obrigatória, mas ele, com o cansaço, pensa que está a fazer tudo bem e acaba por ser desclassificado. Uma desclassificação não tem necessariamente de ser resultado de comportamentos intencionais por parte do atleta.

A primeira vez que esta regra foi cumprida à risca em Portugal foi nos Campeonatos Nacionais de Sprint em Penedono a 21 Junho 2014. Acompanhei de perto pois fui cartógrafo e traçador de percursos do evento. Colocamos controladores a apontar os dorsais de quem não cumprisse a regra. Houve muita discussão sobre a altura do muro se seria justo e se o percurso incentivava a sua transposição.

Neste campo, o Livelox é uma ferramenta muito útil para comprar e analisar, tal como o 3dRerun o foi durante muitos anos, e os atletas são livres de disponibilizar para todos os trajetos realizados nas provas. Não pode ser com base nesta ferramenta que se poderá desclassificar, isto porque nem todos utilizam e como sabemos o GPS tem erros de sinal ainda mais em espaços urbanos. As organizações dos eventos importantes terão de colocar elementos da organização durante toda a prova nos locais chave para anotar os infratores, só desta forma é viável a desclassificação de atletas. Mas, no meu ponto de vista, isto só deve ocorrer nos escalões de competição e só após a devida informação e sensibilização dos atletas, porque esta é a única forma de tornar as provas de orientação em espaço urbano justas e estimulantes.

A cada um de nós cabe cumprir e explicar aos nossos pares as particularidades do nosso desporto, pois mesmo sabendo que só em eventos importantes teremos meios para um controlo efetivo e justo, sabemos também que não há nada mais divertido que navegar ao máximo das nossas capacidades físicas e cognitivas.

Símbolos de elementos de transposição proibida (ISSprOM 2019-2)

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Escalas dos mapas de Orientação http://tiagoaires.com/2023/03/escalas-dos-mapas/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=escalas-dos-mapas Sat, 11 Mar 2023 22:45:55 +0000 https://tiagoaires.com/?p=9446 Após ouvir algumas opiniões e comentários sobre o mapa da Fajã Fernandes pelo facto de ter sido utilizada a escala 1:7.500 (1 cm no mapa [...]

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Após ouvir algumas opiniões e comentários sobre o mapa da Fajã Fernandes pelo facto de ter sido utilizada a escala 1:7.500 (1 cm no mapa corresponde a 75 metros no terreno), deixem que enquadre o seguinte:

Os mapas de floresta são regulamentados desde 1969 pelo documento ISOM (International Specification for Orienteering Maps), que a partir de 1982 definiu que os mapas de floresta devem ser produzidos na escala 1:15.000 (1 cm no mapa corresponde a 150 metros no terreno) exceto para veteranos e jovens que utilizam 1:10.000 (mapa ampliado 150%). Atualmente a exceção a isto são as provas de distância média onde todos utilizam 1:10.000. Por exemplo, o regulamento de competições da FPO (Federação Portuguesa de Orientação) refere que, a partir do H/D 65 e para escalões até aos 12 anos, deve ser utilizada a escala 1:7.500.

Em todos os países do mundo onde se pratica orientação isto é uma realidade constante, a exceção é nos WMOC (campeonato do mundo veteranos) em que, por termos escalões etários mais avançados e sabendo da normal perda de visão ao perto que acontece com o avançar da idade (perda de elasticidade do nervo ótico), temos tido anos em que se varia entre 1:7.500 e 1:10.000. Por exemplo em 2019 na Letónia e em 2021 na Hungria apenas os escalões a partir de 60 até 95 anos utilizam 1:7.500 em 2022 na Itália todos os veteranos utilizaram 1:7.500 e este ano no Eslováquia vai ser idêntico a 2021.

As escalas 1:4.000 ou 3.000 servem apenas para mapas de Sprint, normalmente zonas de parque e/ou espaços urbanos e com um regulamento próprio (ISSprOM).

A realidade Madeirense tem sido muitas vezes distinta, provavelmente para potenciar pequenas zonas de bosque e/ou porque se tem a sensação que assim é mais fácil e intuitivo navegar. Nada mais errado, sempre que se amplia um mapa da sua escala original para uma escala 1:5.000 ou idênticas as relações entre os símbolos e áreas perdem a exatidão. Por exemplo: entre dois elementos pontuais tem de haver pelo menos 0,15mm de espaçamento por razões de legibilidade. A partir do momento que se amplia o mapa 2x ou 3x vai parecer que esses símbolos estão muito mais afastados no terreno; muitas vezes, na realidade, são por exemplo duas pedras juntas (mas que por razão de leitura se desenha assim no mapa original).

Quando um símbolo ou linha no mapa ISOM (floresta) é impresso a 1:10.000, 1:5.000 ou outra escala exceto 15.000, as espessuras e dimensões dos símbolos deverão ser sempre as mesmas. Por exemplo, uma pedra terá sempre um diâmetro de 0,6 mm e um trilho sempre uma espessura 0,27 mm seja qual for a escala entre 1:10.000 e 1:3.000.

A IOF (Federação internacional de Orientação) através dos ISOM criou e desenvolveu nos últimos 60 anos regulamentos bem claros e testados, onde está definida a espessura mínima (e a espessura máxima) de cada símbolo ou área, de forma a que seja legível para um cidadão normal.

Muitos referiram não conseguir ler o mapa. Desculpem mas só existem duas possibilidades tendo em conta o que está estipulado acerca das dimensões mínimas da simbologia:

A) Eventual dificuldade de visão, ainda não se tinham apercebido dessa necessidade, portanto não levaram óculos ou não têm as lentes ajustadas ao momento atual, qualquer orientista regularmente tem de ajustar os seus óculos ou lentes. Outro truque é ter associado a bússola uma lupa para o efeito.

B) Ou também, não menos comum, estão a confundir dificuldades técnicas de interpretar um mapa muito técnico, num bosque com pouca visibilidade e cheio de elementos difíceis de individualizar, com dificuldade em ler o mapa.

Pensem no seguinte: o olho e a estabilidade do ombro e braço, para ler o mapa, também é algo que se treina e trabalha, se estamos habituados a ler mapas onde a necessidade de foco é mínima nunca vamos trabalhar esses músculos, mal comparado é o mesmo quando estarmos num quarto com as luzes acesas e de repente, se se apagam, parece que não vemos nada, mas passado algum tempo começamos a conseguir ver pequenas sombras e formas.

Concluindo, o mapa que se utilizou na Fajã Fernandes, tal como no MOF 2023 (Madeira Orienteering Festival), Ponta de São Lourenço, foi na escala 1:7.500 nos escalões competição, quando deveria em provas oficias ser 1:10.000 (1cm no mapa são 100m na realidade), ou seja, o mapa ainda deveria ser “mais pequeno”.

Qualquer orientista que está habituado a fazer provas fora da Madeira sabe que é assim que funciona a modalidade em todo o mundo. Eu compreendo e gosto de ouvir críticas, pois é a melhor forma de evoluirmos, mas também me parece justo esclarecer e informar de forma a não perpetuar o mito. Não me choca na RAM continuarmos a utilizar escalas fora do regulamentar em mapas de floresta, mas parece-me que pelo menos nos escalões elite e juniores seria de fulcral importância seguirmos os regulamentos internacionais de forma a podermos assumir a Madeira como um local de excelência (que a região merece graças aos magníficos bosques e lugarejos que temos) para a prática de orientação regular, quer para eventos dos calendários nacionais da FPO quer para WRE.

Se pretendem treinar em escalas oficias, aproveitem os percursos marcados no terreno do Madeira O-Camp.


Artigo 6º do Regulamento de Competições Pedestre FPO 2023 – Mapas

1. Os mapas de Orientação têm de ser produzidos de acordo com as normas estabelecidas pela IOF:

a) “ISOM 2017-2 – International Specification for Orienteering Maps”, para provas em floresta;

b) “ISSprOM 2019 – International Specification for Sprint Orienteering Maps”, para provas de Sprint.

2. Têm de ser obrigatoriamente realizados por cartógrafos habilitados (nacionais ou estrangeiros), validados e registados pelo Departamento de Cartografia da FPO, nos termos das normas definidas no Regulamento de Cartografia.

3. Com exceção dos números seguintes, os mapas devem ter as seguintes escalas (qualquer desvio deverá ser previamente autorizado pela Direção da FPO):

DistânciaEscala
Sprint, Knock-out Sprint e Estafetas de Sprint1:4.000
Distância média1:10.000
Distância longa1:15.000
Estafetas1:10.000

4. Para escalões H/D14, H/D16 e iguais ou superiores a H/D45, bem como para as categorias correspondentes, as escalas menores a utilizar em provas de floresta são 1/10.000, devendo ser usada a escala 1/7.500 no escalão H/D65 ou superior, e respetivas nas categorias.

5. Para escalões H/D10, H/D12 e Fácil Curto, as escalas menores a utilizar são de 1:7.500.

6. Para restantes escalões abertos e H/D21 B a escala deve ser 1:10.000.


Muito mais informação em:

https://omapwiki.orienteering.sport/

https://orientacao.pt

Federação Portuguesa de Orientação

Associação de Orientação da Região Autónoma da Madeira

Retoiça – Associação Cultural, Desportiva e Recreativa

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